sábado, 15 de setembro de 2007


As palavras verdadeiras não são bonitas,
as palavras bonitas não são verdadeiras.

A habilidade não é persuasiva,
a persuasão é destituída de mérito.

O Sábio não é erudito,
o erudito não é sábio.

O Sábio não acumula posses.
Quanto mais ele faz para os outros,
mais ele possui.
Quanto mais dá aos outros,
mais ele recebe.

O Tao do Céu "favorece sem prejudicar".
O Tao do Sábio é "agir sem lutar"

Lao-Tsé do livro TAO-TE KING

Se a Paz não Começar em Mim



PAX -
PAZ - PACE - PEACE - PAIX - PACO - PAU - PÎ-A-GUAPÎ - POKÓJ - PAQE
SHALOM - SALAM - SHANTI
HEIWA
FRIEDE - FRED -
VREDE -
BÉKE - BAKE -
DAMAI - DIRLIK -
RAUHA -
TAIKA -
MIER - MIR

Se a paz não começar em mim, não começará.
Se eu levantar a bandeira da paz em desafio, não será paz.
É preciso erguer as bandeiras brancas com o coração de harmonia, respeito, compaixão.
Se nosso estado é de rancor, de vingança, de demonstrar nossa força, não terá a força de transformar violência em paz ativa.

Vamos caminhar silenciosos e amorosos.
Vamos nos encontrar e nos cumprimentar na certeza de que todos compartilhamos da mesma casa comum.
É uma casa tão grande, de vidas tão diferentes. É como é. Este ser é inter ser e é transformação. Nada fixo. Podemos direcionar o caminho da mudança.
Vamos nos respeitar nas nossas diferenças. Sem exigir que nos tornemos iguais, que pensemos da mesma forma, que tenhamos a mesma religião e a mesma cultura.
Unidos estamos pelo ar, pelo céu, pela terra, pela vida e pela morte, pelo sonho, a utopia que se realiza quando corações e mentes se unem no Caminho da Verdade.
Vamos nos respeitar nas diferenças de cor de pele, de culturas, de gêneros, de alegrias, de tristezas, de curas e de doenças.
Caminhemos juntos, pois é inevitável.
Juntos estamos. Juntos somos no cosmos. Intersomos, numa rede fantástica de interconexões. Interdependência de instantes que jamais se repetem. Jamais.
Façamos deste o momento sagrado. Deste local o solo, o céu, o ar, as águas e a vida abençoada. Basta mudarmos só um pouquinho. Da ganância, da raiva e da ignorância criamos o compartilhar, o compreender, o saber superior iluminado da verdade.

Se tudo que começa termina, como terminará a época das guerras, das injustiças, das fomes, das doenças, das tristezas, das discriminações, dos excluídos, afastados, nefasta destruição da natureza?

Terminará com uma mudança de consciência do ser humano, com o desenvolvimento das capacidades de sentir o outro como o eu, o eu como o outro. Terminará quando retornarmos ao verdadeiro e resgatarmos a percepção de que somos um só corpo vivo e que da nossa cooperação amistosa, justa, todos poderão viver plena e dignamente.

Quantas mais pessoas descobrirem, e colocarem em prática, soluções de não violência ativa para conflitos, mais nos acercaremos da justiça social, do compartilhar da vida, da cura da Terra, da inclusão social, da preservação da natureza, do respeito à nossa casa comum, na celebração da vida.

Pouco a pouco, dando tempo ao tempo, vamos nos reunindo, na grande tenda global. Não da globalização licenciosa, que se aproveita para ludibriar, excluir e explorar. Não. A força global que nos une, a energia que perpassa tudo que existe, permeia o globo terrestre e universalmente a existência. Natureza-Buda.

Das forças a mais forte de todas. Energia vital. Amor universal.
Compaixão. Com - Paixão. Compartilhar a dor e o amor.
Apaixonados pelo bem das multidões de formas de vida e criações.
Apaixonados pela ação interativa de unir e não de separar.

Sinto a dor da fome das crianças da África e das crianças das periferias das cidades grandes de todo o mundo.
Sinto a tristeza dos que sobrevivem aos ataques mortíferos de armas de guerra e de desunião entre os povos.
Sinto o desespero da mãe solapada com pedaços de seu filho no colo.
Sinto a angústia do soldado correndo, matando e morrendo, ao obedecer ordens. Sinto coragem, sossego e loucura através das drogas que me permitem continuar o combate.
Sinto o pesar das noites de insônia dos líderes tolos, perdidos em somas, em números e cores, incapazes de abrir seus corações amorosos.
Sinto a desesperança dos que são maltratados em longas filas hospitalares, quando lhes permitem entrar em fila, quando já não chegam mutilados de corpo e mente nos hospitais lotados e atarefados.
Sinto o cansaço e o temor das impossibilidades de mudança.
Sinto a tristeza e o rancor. Sinto a violência se desencadeando em meu peito que é o seu. Sem conseguir refreá-la me entrego a facas e balas. Se não morrer no asfalto, na terra, boca cheia de formigas, morro nas prisões do mundo, atado pelos desejos insaciados, que não são apenas meus.
Sinto a dificuldade dos juízes em dar o parecer justo e o desespero do inocente que é culpado de ser pobre, de ser gente que não tem quem o defende.
Sinto todas as dores e me comovo de pronto Movendo junto a dor.
Mas também:
Sinto o prazer dos frutos adocicados nas bocas das crianças saudáveis do mundo.
Sinto a alegria do fim das guerras e da união dos povos.
Sinto a esperança da mãe na cura de doenças terminais.
Sinto a força de vontade dos jovens vencendo a dependência às drogas e se negando a matar
Sinto o sono tranqüilo de líderes corretos, cuidando das pessoas e de seu bem estar.
Sinto a eficácia de sistemas de saúde pública e particular, onde o mais importante é a vida.
Sinto a grande esperança nas possibilidades de mudança.
Sinto a ternura de um gesto, um olhar de compreensão nas alegrias de desarmar-se e manter as mãos abertas.
Sinto o prazer em aprender. Aprendo a ficar satisfeita.
Sinto a justiça dos seres corretos, onde o culpado não é apedrejado nem morto, mas posto a convívio que purifica, que arrepende e que modifica para o bem.
Sinto o contentamento de ser, intersendo.
Sinto da vida todas as alegrias e com os rios fluindo, fluo e me rio.

Não há um inimigo. Não se iludam, não há.
Nenhum país.
Nenhuma pessoa.
Seria tão fácil, tão simples dizer foi ela, foi ele.
Tão cômodo poder apontar para fora e gritar: assassino, corrupto, ladrão..
Escapando das suas responsabilidades de habitante grupal.
Não se iluda dizendo ser bom e o outro mau.
Perceba que somos o bem e o mal; a luz e a sombra em todo seu potencial.
Fazemos escolhas. Mas estas dependem de tudo com que nos alimentaram, tudo com que nos capacitaram e nós mesmos nos capacitamos. Até nisso, veja bem, somos todos responsáveis.
Se o Presidente Bush ameaça e se prepara para um ataque fatal, apoiado por mais de 60% das pessoas de sua terra natal é porque não lhe ensinaram soluções de paz ativa. Qual foi a educação que teve, que soluções lhe ensinaram? Quem o assessora agora? Por que e como o elegeram? Tudo isso tem a ver. Nada está isolado. Ao invés de o odiar, de ao seu país querer mal, precisamos é nos unir no pensamento e na ação de amar e compreender, de vivenciar a compaixão.
Isto não quer dizer que não devemos fazer nada. Muito pelo contrário. Só que a mudança que falo, mas poderosa que guerras, que revoluções internas e externas é a mudança do coração.
Quando percebi do que é capaz, um ser humano que compreende e se transforma em agente da paz, pensei que era revolucionário demais.
Agora sigo o caminho e sempre me perguntando: como é que posso fazer para conduzir o maior número de seres à Iluminação, à Verdade e á Vida em comunidade?

Está na hora do despertar da humanidade.
Bom dia!

Que haja discernimento correto na opção da vida
.
Que conheçamos os três venenos temíveis a serem evitados: a ganância, a raiva e a ignorância, nos seus disfarces mais variados.
A maioria de nós demora a perceber o próprio envenenamento.
Devem ser apiedadas, orientadas e não apedrejadas.

Não queimem bandeiras.
Não joguem pedras.
Não gritem insultos.
Não condenem pessoas, mas situações.
Podemos juntos transformar a maneira de ser dos habitantes da Terra.
Com isso modificaremos o habitat.
Faremos daqui o local, não da espera, mas do chegar.
Onde se fica bem.
Onde a vida cuida com cuidado uns dos outros.
No afago ao recém nascido
A benção da esperança.
Tudo será diferente,
Pois tudo que queremos aqui mesmo se alcança.

Oremos e meditemos, junto a muito trabalho,
Construindo e aprendendo uma nova maneira de ser.
Um outro mundo possível onde a cultura é da paz..
Aprendendo a cada instante
A ser mais livre e melhor.
Não aquela liberdade anárquica e saltitante
Que não considera o todo e pensa só na sua estante.
Como livros bem guardados e amarelados, comidos por traça e cupim.
Nossos pensamentos lacrados se fecham.
Congelados, desgastados, poluídos, maculados.
Sem se manifestar
A verdade mais profunda fica esquecida, deixada.
O falso vai num crescendo
Crescendo.
Seu som engolfa o mundo.
Todos pensam que é o fim, que tudo está tão errado, que não se pode mudar.
Errado. Pausa.
Volte seu olhar para dentro.Examine com cuidado. Perceba o elo sagrado.
Seja ele com Senhor Buda, Ramsés. Íris, Profeta Mohamed, Jesus, Deus, Orixás, divindades, espíritos encarnados e desencarnados.
Este elo nos une e não nos separa.
Há quem diga que as religiões criam guerras.
Se forem verdadeiras não as criarão. Ao contrário, criarão soluções de não violência e respeito, de amor ao que é de direito.
Vamos nos unir criando com nossas vidas uma rede de bem. Que cubra toda a terra.
Vamos criar essa teia de percepção verdadeira. Relembrar.
Relembrar o verdadeiro.
Estamos todos ligados. Interconectados.
Corpo e mente não são dois.
Imagem, reflexo e semelhança.
Vista a camisa da Cultura de Paz.
Substitua Guevara por Gandhi.
Re aprenda a querer bem, a mudar, sem ter de matar ou morrer.


Monja Coen é missionária da Religião Budista Soto Zen do Japão para o Brasil, Primaz Fundadora da Comunidade Zen Budista, com sede em São Paulo, Brasil, membro do Círculo de Cooperação de São Paulo da United Religions Initiative - URI e membro Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Resposta do Cacique SEATTLE ao Governo dos Estados Unidos que tentava comprar as suas terras (1854)


Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.
E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo?
Desapareceu.
Onde está a águia?
Desapareceu
É o final da vida e o início da sobrevivência.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

morangos


Talvez, ao me ouvir falar em felicidade, você se pergunte se eu não tenho problemas, se tudo dá sempre certo para mim,
se nunca passei por uma grande dificuldade que me tenha deixado marcas, como ocorre com a maioria das pessoas.

É claro que sim, sou como todo mundo. Tenho angústias, fico
estressado, as pessoas às vezes me traem, mas eu procuro comer
os morangos da vida. Um sujeito estava caindo em um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore.

Em cima do barranco havia um urso imenso querendo devorá-lo.
O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo
prato que tinha à sua frente. Embaixo, prontas para engoli-lo,
quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando.
Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas
do seu pé. As onças embaixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo. Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas escamas
douradas refletindo o sol.

Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango.
Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado
com sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou
com o sabor doce e suculento.

Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso. Deu para entender? Talvez você me pergunte: "Mas, e o urso?"
Dane-se o urso e coma o morango! E as onças?
Azar das onças, coma o morango! Se ele não desistir,
a onça ou o urso desistirão....

Às vezes, você está em sua casa no final de semana, com
seus filhos e amigos, comendo um churrasco.
Percebendo seu mau humor, sua esposa lhe diz:
" Meu bem, relaxe e aproveite o Domingo! ".
E você, chateado, responde:
"Como posso curtir o Domingo se amanhã
vai ter um monte de ursos querendo
me pegar na empresa?"

Relaxe e viva um dia por vez: coma o morango.
Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro.
Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças
a arrancar nossos pés. Isso faz parte da vida e é importante que
saibamos viver dentro desse cenário.

Mas nós precisamos saber comer os morangos,
sempre. A gente não pode deixar de comê-los só porque
existem ursos e onças. Você pode argumentar:
"Eu tenho muitos problemas para resolver."
Problemas não impedem ninguém de ser feliz.
O fato de ter que conviver com chatos não é motivo
para você deixar de gostar de seu trabalho.
Coma o morango, não deixe que ele escape.
Poderá não haver outra oportunidade de
experimentar algo tão saboroso.
Saboreie os bons momentos.

Sempre existirão ursos, onças e morangos.
Eles fazem parte da vida.
Mas o importante é saber aproveitar o morango.
Coma o morango quando ele aparecer.
Não deixe para depois.
O melhor momento para ser feliz é agora.
O futuro é uma ilusão que sempre será
diferente do que imaginamos.
As pessoas vêem o sucesso como uma miragem.
Como aquela história da cenoura pendurada na frente do burro
que nunca a alcança. As pessoas visualizam metas e,
quando as realizam, descobrem que elas
não trouxeram felicidade.

Então, continuam avançando e inventam outras metas que
também não as tornam felizes.
Vivem esperando o dia em que alcançarão algo
que as deixará felizes. Elas esquecem que a felicidade é construída
todos os dias.

Lembre-se: a felicidade não é algo que você vai conquistar fora de você... Então, coma os morangos e seja feliz...

( Roberto Shinyashiki )

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Depois de Algum Tempo


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dara mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão."
"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoa-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."
"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."
"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."
E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você
junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E vocêaprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida !!!"
William Shakespeare

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Um Simples Gesto de Bondade

Dentre os varios autores que leio e recomendo esta o Dr. Brian Weiss. Principalmente por causa das qualidade dos seu livros.

Brian Weiss


Todos nós sonhamos com uma vida melhor em uma sociedade melhor. No entanto, é difícil passar um dia inteiro sem que fiquemos desiludidos, desapontados ou esgotados por pessoas maldosas e egoístas que nos rodeiam. Há muitas pessoas que parecem interessadas apenas em vantagens pessoais. Tornaram-se rudes, arrogantes, críticas e insensíveis. Suas atitudes não apenas nos deixam mal, mas também nos dão a sensação de que não há nada a fazer para mudar isso, de que somente as pessoas que detêm o poder são capazes de mudar alguma coisa.

Mas se aceitarmos a missão de nos tornarmos os seres iluminados de nosso planeta, podemos começar a mudar o mundo. Na prática, creio que as mudanças vão acontecer devagar, à medida que começarmos a praticar atos de bondade todos os dias, fazendo pequenas coisas para tornar os outros mais felizes. Talvez a resposta esteja nos serviços voluntários de atendimento aos menos afortunados. Ou talvez seja algo tão simples como ser gentil com alguém, fazer um gesto de bondade sem pedir nem esperar nada em troca.

Durante anos, Oprah Winfrey, atriz e apresentadora de televisão norte-americana, vem defendendo esses atos simples e diários de bondade. Não precisa ser nada caro nem complicado. Pode ser apenas um sorriso simpático, um cumprimento espontâneo, um pequeno auxílio. Ou talvez uma palavra amável, um gesto carinhoso, uma atitude gentil, uma alegria compartilhada, uma mão amiga. Aos pouquinhos, passo a passo, uma grande transformação em nossa sociedade pode começar. As pessoas sentirão um novo alento com a gentileza das outras. Atitudes agressivas e defensivas vão começar a se dissipar no calor da bondade.

Pessoas que não se conhecem devem se aproximar com essas atitudes benevolentes. A bondade e o carinho não podem ser reservados somente para a família e os amigos, caso contrário a sociedade jamais irá mudar. Precisamos estender esses gestos a todos os outros, e não apenas àqueles que são como nós.

Se conseguirmos que cada pessoa faça pelo menos alguns atos de bondade todo dia, poderemos mudar o mundo. Seria, no mínimo, um bom começo.

Os nossos dias seriam mais doces, mais estimulantes, nos trariam mais esperança para o futuro. Esse modelo de comportamento gentil e bondoso para com os outros seres humanos deveria ser o principal produto de exportação de cada país, em vez de práticas de negócios baseadas na ambição, tendo apenas o dinheiro como objetivo final, e uma competição cruel, implacável, como principal meio para atingir esse fim.

Deveríamos também servir de exemplo para nossas crianças. Elas aprenderiam o poder e a importância da bondade. Aprenderiam que não importa o número de pessoas atingidas por seus gestos simples de bondade. Os gestos, em si, são o que mais importa.

Desde o início dos tempos, os verdadeiros mestres da humanidade nos falam de amor e compaixão em nossos relacionamentos e nossas comunidades. Eles não perderam tempo nos ensinando a acumular riquezas excessivas à custa dos outros. Não nos ensinaram a ser impiedosos, egoístas, rudes ou arrogantes.

Um mestre, professor ou guru verdadeiro irá apontar o caminho, mostrando o que contribui ou não para a nossa evolução espiritual e o que pode ser um empecilho ou obstáculo.

Nossa missão é praticar seus ensinamentos em nossa vida diária. Devemos ser carinhosos, praticar a bondade e os atos de amor.

Não existe um prazo para mudar o mundo. A única coisa realmente importante é começar. Se for verdade que uma longa jornada começa com um simples passo, então o primeiro passo é abandonar o medo e o isolamento e começar a praticar atos de bondade, aleatórios ou planejados, grandes ou pequenos, e fazer isso todo dia. Se a maioria de nós começar a agir assim, não vamos mais precisar de gurus, pois já estaremos fazendo o que eles teriam a nos ensinar

Mudar o estado atual do mundo - de violência, competição e ódio - não vai acontecer por meio dos esforços de uns poucos indivíduos iluminados, mesmo que eles fossem poderosos líderes mundiais. Em vez disso, são as atitudes diárias de bondade e compaixão, compartilhadas entre duas pessoas ou pequenos grupos, que podem fazer do mundo um lugar mais amistoso.

Nós devemos entender que somos todos iguais, da mesma espécie, todos lutando por um pouco de paz, felicidade e segurança em nossa vida diária. Não podemos continuar lutando e matando uns aos outros.

domingo, 2 de setembro de 2007

Rigidez


Para melhorarmos as circunstâncias de nossa vida, precisamos transformar nossos padrões de pensamentos limitadores. Isolando-nos dentro dessas fronteiras estreitas, passamos a encarar o mundo de forma reduzida e nos condicionamos a pensar que a vida é uma fatal provação. Assim, não mais vivemos intensamente, limitando-nos apenas a sobreviver.
Explorando opções, diversificando nossas opiniões, conceitos, atitudes e recolhendo os frutos do progresso aqui e acolá, teremos expandida a nossa visão, que será a base para agirmos com prudência e maleabilidade diante das nossas decisões.
A arquitetura de uma ponte prevê os movimentos oscilatórios, para que sua estrutura não sobre dano algum. As estruturas imobilizadas nunca são tão fortes como as flexíveis. mentalidades rígidas não são consideradas desembaraçadas e rápidas, pois, nunca estão prontas para mudar ou para receber novas informações.
"... Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem."
"... Todas as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. (...) A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento...".
Paixões podem ser consideradas predisposições impetuosas e violentas, se levadas ao extremo. Elas atingem as diversas áreas do relacionamento humano, como, por exemplo, a política, a social, a afetiva, a religiosa e a sexual.
Predileção pelo lucro é útil; o exagero é cobiça.
Predileção pelo afeto é valorosa; o exagero é apego.
Predileção pela religião é a evolução; o exagero é fanatismo.
Predileção pela casa é necessária; o exagero é futilidade.
Predileção pelo lazer é saudável; o exagero é ociosidade.
Entendemos, portanto, que a predileção pelas nossas convicções é racional, mas o exagero é inflexibilidade, obstinação, ou seja, paixão.
Ser flexível não quer dizer perda de personalidade ou "ser volúvel, mas ser acessível à compreensão das coisas e pessoas.
Encontramos criaturas que se mantêm presas durante anos e anos a conceitos e crenças imobilizadoras. Convergiram toda a sua atenção para sentimentos, objetivos ou pensamentos obstinados, dificultando uma amplitude de raciocínio e discernimento.
(...)
Criando uma pluralidade de pensamentos reflexivos, teremos, obviamente, um melhor discernimento para perceber, escutar, ler, aprender e seguir nossos caminhos.
Nossa saúde mental está intimamente ligada a nossa capacidade de adaptação ao meio em que vivemos, e nosso progresso intelectual se expressa por meio da habilidade psicológica de associação de idéias.
Na atualidade, os estudiosos da mente acreditam que os indivíduos duros e intransigentes, por não se adaptarem à realidade das coisas, possuem uma maior predisposição para a psicose. Fogem para um universo irreal, classificado como loucura. Essa fuga é, por certo, uma forma de adaptação, para que possam sobreviver no mundo social que eles relutam em aceitar.
Deixar a rigidez mental é fator básico para o crescimento interior. para aprendermos o "bem viver", é preciso que abandonemos as condutas da paixão, quer dizer, das emoções exageradas. As atitudes inovadoras e consideradas inusitadas na vida dos grandes homens foram as que fizeram com que fossem denominadas criaturas extraordinárias.
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Hammed

Dificuldade de Amar


A insegurança emocional responde pelo medo de amar.
O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde.
O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso.
Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.
Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real.
O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos.. Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, imediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar.
Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz.
Joanna de Ângelis